O Venerável Mestre
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Quando da escolha do Venerável Mestre os irmãos têm por hábito escolher o mais carismático, ou o mais assíduo, ou o mais antigo, etc., o que constitui um equívoco muito grande.Faz parte dos nossos costumes anualmente as lojas elegerem as suas respectivas administrações. Nesse momento, às vezes a vaidade, a cobiça e o egoísmo, de uma minoria, se sobrepõe à razão, quando, por outro lado, deveríamos, todos, estar em perfeita sintonia e com um único sentimento, o do bem estar da Loja, o nosso pequeno mundo, do qual o Venerável é o Sol.Conforme consta do Ritual de Instalação e Posse, todos os Maçons devem conceber que, como em toda organização social a natureza de nossa Instituição e a constituição de nossa lojas são feitas de modo que enquanto uns governam e ensinam, os outros aprendem e obedecem, voltados para a ordem, a hierarquia e o progresso, sendo a modéstia e a tolerância, para uns e outros, requisitos essenciais a boa marcha dos trabalhos. Assim sendo, torna-se necessário que os irmãos, periodicamente, façam uma reflexão para que melhor possam compreender a responsabilidade atribuida ao Venerável Mestre, e auxilia-lo, como Chefe de uma Loja Maçônica, eis que dele depende a honra e a reputação da oficina.Venerável Mestre não é simplesmente o título conferido ao Presidente de uma Loja Maçônica, como possam pensar alguns irmãos. Segundo o saudoso Ir.’. Rizzardo da Camino, numa Loja Maçônica o Venerável adquire a complementação de “Mestre”, porque, em tese, é aquele que, pela sabedoria, pode dirigir, orientar e decidir, com absoluta independência, preso apenas aos preceitos legais e aos rituais.É pelos motivos supracitados que o exercício de tão nobre cargo em certa época já foi vitalício. Na época atual, pela sua importância, há que ser escolhido e eleito, para o cargo, um irmão conhecedor da sistemática maçônica, além do preenchimento dos pressupostos explícitos de elegibilidade harmonizados na legislação competente.Apesar da Assembléia de Mestres, dos Poderes Constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário), ainda é o Venerável Mestre o principal órgão, autônomo e soberano da Administração da Loja, só se curvando à Lei e, desta forma, cabendo-lhe a representação da Oficina junto ao Poder Civil e à Grande Loja. Por tudo isso o Venerável Mestre deve ser dotado de boa oratória, sem retórica vã, e de fácil discernimento. O Venerável Mestre, pelas várias situações que se apresentam no transcorrer do mandato, e os que já desempenharam tão honroso cargo sabem muito bem, deve possuir como requisito implícito da cargo, sem elitismo ou discriminação, condição estável profissional, financeira e familiar.O Venerável Mestre deve ser moderado, discreto, prudente, tolerante, humilde e sereno. Deve, pela retidão de conduta, servir de exemplo para os Obreiros da Loja. Deve ser líder nato; o verdadeiro líder não faz comandados, faz seguidores. Deve tratar os irmãos de forma imparcial, com delicadeza e brandura, sem precisar fazer uso da força de sua autoridade para demonstrar que ela é sagrada e inviolável. Deve ser digno para exigir de todos a fiel obediência aos sublimes Princípios da Fraternidade, sem extrapolar em firmeza, energia e equilíbrio.São todos estes requisitos que determinam que a escolha do Venerável Mestre não deve recair sobre aquele que deseja veementemente e de forma imoderada a posse do cargo, e sim, sobre aquele Irmão cujo nome emerge espontaneamente do seio da Loja, por vontade desinteressada e fraterna.São todos estes requisitos que determinam que o cargo de Venerável Mestre tem que ser digno de veneração, e o seu ocupante merecedor de grande consideração, respeito e acatamento.“Honrai a todos. Amai a Fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao Rei.” (Pedro – I Epístola, Cap. 2. Ver. 17).Honrar é venerar. Honra é sentimento de dignidade moral que faz agir de modo a conservar a própria estima e merecer a dos outros.Vamos refletir já que a escolha será sempre nossa!Que o G.’.A.’.D.’.U.’. vos ilumine e guarde.Um fraternal abraço e um beijo no coração.Evaldo de Souza Guimarães
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setembro 25th, 2008 at 21:16
Irmão e quando o Venerável não representa nada disso que o irmão descreve acima?E quando o venerável usa seu poder para prejudicar um irmão?E quando um venerável não segue a ritualística nem os regimentos da federação?Ele pode ser denunciado?
setembro 25th, 2008 at 23:10
Com a devida permissão gostaria de comentar sobre este assunto.
Penso que, da mesma forma democrática com que um V.’.M.’. é eleito pelos MM.’. de uma Loja, se o seu mandato não for exercido de forma adequada (por motivo de inoperância) fica óbvio que não venha a ser eleito novamente para presidir a mesma Loja e ainda que, existindo qualquer tipo de abuso ou equívoco, isto deve ser colocado primeiramente em discussão pelos obreiros da Loja, nunca em conversas de canto ou por trás do V.’.M.’., tratando-se da parte ofendida ser um Ap.’. ou Comp.’. deve este primeiramente reportar-se a um M.’. de sua Loja e tratando-se ainda de um M.’. este deve manifestar-se em C.’. do M.’.. A franqueza e a sinceridade jamais devem deixar de existir, pois a maçonaria é lugar de homens “livres”, que podem expressar-se portanto livremente, obedecendo à ritualística obviamente. Mas o que vemos em muitos casos é que a falta de diálogo amplifica até as questões mais amenas, questões estas que poderiam ser tratadas facilmente com base na humildade e tolerância. É muito triste que em algumas Lojas ocorram crises insolúveis, mas admitamos porém que a exemplo de Potências Maçônicas que não se reconhecem ou se toleram entre sí, demonstram que o exemplo deveria vir de cima, dos altos graus, do contrário os Foruns estarão sempre cheios de demandas em processos intermináveis a fim de resolverem problemas internos da maçonaria,e pior ainda, geralmente entre os Grau 33, para vergonha de todos os maçons. Às vezes, e quando cabe ao caso, uma mudança de Loja resolve uma demanda e preserva relações maçônicas em meio a divergências e incompatibilidades. É uma saída honrosa, diria até ser uma retirada estratégica, o ritual de A.’.M.’. já ensina isto, e isto é sugerido para que não comprometa a harmonia da Loja, quando trata-se evidentemente de uma demanda pessoal. Por outro lado, se um V.’.M.’., comprovadamente é um dissimulado, sendo alguém que diante da justiça seja um criminoso, isto automáticamente já o incompatibilizaria com o cargo exercido, que deve então e imediatamente após a comprovação dos fatos, ser assumido pelo 1.Vig.’. sem mais delongas e se necesário for convocar-se uma nova eleição extraordinária. Não devemos é tolerar bandidos na maçonaria a exemplo do que ocorreu na Italia com os mafiosos da Loja P2, e devemos lembrar quem cuida da maçonaria são os maçons, assim sendo as luzes de uma Loja devem assumir responsabilidades e tomar atitudes, porém sempre dentro da ordem e submetidos à hierarquia, desde que esta hierarquia não seja “podre”. A maçonaria, como qualquer outra instituição, não está livre de receber pessoas de vida dupla ou falsas, o que deve prevalecer é o bom senso e o pronto tratamento da situação. Vale a máxima: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”.